O que entendemos quando dizemos que Maria foi concebida sem mancha de pecado, ou, o que é o mesmo, que sua conceição foi imaculada?
Que, por um privilégio singular, já no primeiro instante de sua existência, foi absolutamente pura e santa, tendo sido preservada do pecado original e enriquecida, desde então, com os tesouros da graça, as virtudes sobrenaturais e os dons do Espírito Santo.
É, pois, um privilégio a Imaculada Conceição?
Sim, é um privilégio, e um privilégio singular. Um privilégio, porque todos os descendentes naturais de Adão estavam sujeitos à privação da graça original, e entre eles se encontrava Maria. É um privilégio singular porque não consta que nenhum outro tenha sido favorecido com ele, além da Santíssima Virgem e, talvez, São José.
Em atenção a quem foi preservada a Virgem do pecado original?
Em atenção aos méritos infinitos de Jesus Cristo.
Como podiam valer à Virgem os méritos de Cristo, que ainda não existia?
Porque, para Deus, sendo eterno, todas as coisas, passadas e futuras, estão presentes. Assim como esses mesmos méritos valeram para Abraão, Isaac, Jacó e todos os Patriarcas e Santos do Antigo Testamento, para que seus pecados fossem perdoados e alcançassem a salvação, também valeram para a Virgem, a fim de que fosse preservada da mancha original.
A Virgem foi redimida pelo preciosíssimo Sangue de Jesus Cristo?
Sim. Foi redimida por uma redenção que os teólogos chamam preservativa, muito mais excelente do que a nossa, ou liberativa, pois tem por objetivo não apagar pecados já cometidos, mas preservar alguém de cair neles.
O que principalmente valeu a Maria ser preservada, pelos méritos de Cristo, da mancha original?
Sua condição de segunda Eva e Mãe de Deus.
A Imaculada Conceição na Sagrada Escritura
No Gênesis, a nova mulher, isto é, a Virgem, pisaria a cabeça da serpente e seria sua inimiga irreconciliável.
Ora, não seria completa a vitória nem a inimizade se Maria, por causa do pecado original, tivesse sido, ainda que por um momento, amiga e escrava do demônio.
Além disso, ao saudá-la, o Arcanjo São Gabriel chama-a de “cheia de graça”.
Isso indica uma plenitude absoluta, distinta daquela recebida pelos santos, e que se estende a todos os instantes de sua vida.
Maria também foi figurada pela Arca de Noé, a única que escapou ao naufrágio do mundo e não foi submersa pelas águas do dilúvio.
A Imaculada Conceição de Maria na Tradição
Em todos os séculos, desde as origens do cristianismo, houve escritores que trataram da Imaculada Conceição de Maria.
Enfim, a Igreja Romana, “mãe e mestra de todas as Igrejas”, sempre teve como doutrina indubitável a Conceição Imaculada da Santíssima Virgem. As orações privadas e públicas usadas desde tempos antigos na Igreja também pressupõem essa doutrina, que foi posteriormente proclamada e definida pela autoridade infalível do Papa, respondendo aos desejos de todo o episcopado católico.
A Imaculada Conceição
Em que ocasião o episcopado católico pediu a definição dogmática da Imaculada Conceição de Maria?
Por ocasião da Encíclica de 2 de fevereiro de 1849.
Nessa encíclica, datada de Gaeta, onde se havia refugiado para escapar às violências da Revolução, o Papa Pio IX exortava os bispos a ordenarem orações para obter o auxílio do Céu em favor do chefe da Igreja e lhes pedia sua opinião e a de seus fiéis acerca da definição dogmática da Imaculada Conceição de Maria.
Responderam-lhe 543 cardeais, arcebispos e bispos. Todos, sem exceção, afirmaram que em suas respectivas dioceses era geral a crença na Conceição Imaculada da Mãe de Deus e, por conseguinte, solicitaram a definição do dogma.
A Imaculada Conceição constitui um dogma da fé católica?
Sim. O mistério da Conceição Imaculada de Maria foi proclamado dogma de fé pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854, na presença de mais de 200 bispos e com a aprovação universal da Igreja.
Como recebeu o mundo católico esse decreto do Sumo Pontífice?
Em todos os confins da terra, o decreto do Romano Pontífice foi recebido com imensa aclamação de alegria. Em toda parte celebrou-se o triunfo de Maria Imaculada com esplendor e entusiasmo extraordinários, e quase todos os dias do ano seguinte foram solenizados com festas em honra da Santíssima Virgem.
Em que dia a Igreja comemora a Conceição Imaculada de Maria?
A Igreja celebra todos os anos esse glorioso privilégio no dia 8 de dezembro. Em meados do século XII, os cônegos da Igreja de Lyon introduziram essa festa na França, de onde passou para a Itália e a Alemanha. Uma bula do Papa Sisto IV, publicada em 1476, estendeu essa festa à Igreja universal.
O que devemos fazer para celebrar dignamente a festa da Imaculada Conceição?
Devemos considerá-la como preparação para a vinda de Jesus Cristo às nossas almas no dia de Natal.
Nela, a Igreja nos ensina quanta pureza é necessária para receber dignamente Jesus Cristo, pois na Virgem não tolerou nem pecado atual nem original, nem sequer sombra de pecado.
Devemos recordar que a graça concedida a Maria no primeiro instante de sua existência foi concedida a nós no Batismo.
Devemos pedir humildemente perdão por termos sido tão pouco fiéis a essa graça.
Devemos pedir a Deus, por intercessão da Santíssima Virgem, a graça de sermos mais fiéis a ela no futuro.
Devemos felicitar Maria por esse privilégio tão querido para Ela, pois a preserva daquilo que infinitamente detesta: o pecado.
As aparições de Lourdes oferecem uma prova eloquente dessa verdade. Quando, por sugestão do pároco, Bernadette suplicou à Visão que lhe revelasse seu nome, Maria, unindo as mãos e elevando os olhos ao Céu, exclamou com voz dulcíssima:
“Eu sou a Imaculada Conceição!”
Devemos meditar e assimilar os ensinamentos contidos nesse mistério.
O que nos ensina o mistério da Imaculada Conceição?
Ensina-nos o quanto Deus aborrece o pecado, o grande cuidado que devemos ter para não cometê-lo e para evitar tudo aquilo que possa manchar a pureza de nossa alma e de nosso corpo.
Que outro ensinamento está contido nesse mistério?
Que devemos aproximar-nos da Sagrada Mesa com grande pureza de alma.